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Como fã de cinema, tenho apreciado muito a variedade de títulos disponíveis na Netflix. É difícil escolher um filme favorito em meio a tantas opções, mas há uma obra em particular que me marcou profundamente: O Irlandês.

Dirigido por Martin Scorsese e estrelado por um elenco de peso, como Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci, o filme conta a história de Frank Sheeran, um assassino profissional que atravessou várias décadas da máfia americana. Mais do que uma simples narrativa sobre o mundo do crime, O Irlandês é uma reflexão sobre a mortalidade, a lealdade e a vida em si.

Uma das primeiras coisas que me chamou a atenção em O Irlandês foi a forma como Scorsese lida com a passagem do tempo. Utilizando tecnologia de ponta, os atores foram rejuvenescidos digitalmente em algumas cenas, permitindo que eles interpretassem seus personagens em diferentes idades. Esse recurso pode ser visto como controverso para alguns, mas achei que Scorsese soube usá-lo de maneira inteligente, sem deixar que a técnica se sobressaísse à história.

Outro ponto forte do filme é o roteiro. Adaptado por Steven Zaillian a partir do livro I Heard You Paint Houses, de Charles Brandt, a trama se desenrola de maneira não-linear, saltando para frente e para trás em diferentes épocas. Essa estrutura narrativa pode ser um pouco confusa para alguns espectadores, mas ao meu ver foi fundamental para que pudéssemos entender as conexões entre os personagens e os acontecimentos que moldaram a vida de Frank.

As atuações também são extraordinárias, especialmente a de Joe Pesci no papel de Russell Bufalino, o mentor de Frank. Pesci está sempre ótimo em papéis de mafioso, mas aqui ele se destaca por apresentar uma interpretação mais contida e sutil do que estamos acostumados a ver. De Niro, como Frank Sheeran, faz um trabalho sólido, apesar de eu ter achado que em alguns momentos ele parecia um pouco desmotivado. Já o lendário Al Pacino, interpretando Jimmy Hoffa, rouba todas as cenas em que aparece, capturando a essência do controverso líder sindical.

No que diz respeito à estética, O Irlandês é uma obra-prima. Scorsese está em casa ao dirigir um filme sobre a máfia, e aqui ele mostra todo o seu domínio de câmera, de iluminação e de composição. Algumas sequências em particular são de tirar o fôlego, como a cena em que Frank e Russell conversam em um carro, enquanto a câmera permanece fixa no exterior do veículo.

Por fim, gostaria de destacar que O Irlandês não é um filme para todos os públicos. Ele é longo, com cerca de três horas e meia de duração, e exige atenção e paciência do espectador. Além disso, seu tom melancólico e introspectivo pode não agradar a todos os gostos. Mas para quem gosta de cinema de qualidade, não pode perder essa obra-prima disponível na Netflix.

Em resumo, O Irlandês é meu filme favorito da plataforma de streaming por sua narrativa complexa, por suas atuações memoráveis e por seu vislumbre sobre a vida na máfia. Scorsese mostra novamente por que é um dos melhores diretores em atividade, entregando um filme que está entre suas melhores obras. Vale a pena conferir e se deixar envolver pela história de Frank Sheeran e seus comparsas.